Eu até já estava a estranhar que o evento de ontem terminasse sem uma pequenita polémica para dar que falar no final do evento solidário. Calhou a Salvador Sobral soltar um pouco do que alguns dos artistas que por lá passaram, pensavam realmente do púbico português das suas manias de estar na vida e dos seus comportamentos em espectáculos. Ao longo da transmissão pensei que aquelas pessoas não sabiam bem porque é que ali estavam e o porquê de aquela tragédia ter acontecido. Foi estranho ver tanta alegria à custa de um acontecimento trágico, onde a sociedade e os responsáveis políticos têm falhado consecutivamente. A grande maioria do público português também não sabe estar e não sabe respeitar o trabalho dos artistas em palco, ora em excessos de entusiasmo ora em barulho necessário e incomodativo. Salvador Sobral reagiu de uma forma transparente. Falta-lhe experiência em lidar com o público e conseguir abstrair-se do quanto o público português por vezes é ingrato. Não foi a melhor forma de se expressar, mas deu para perceber exactamente o que ele quis dizer.
Não estou a exagerar quando digo que vi mais do que quatro vezes nas últimas 24 horas o nome do lendário vocalista dos Queen mal escrito. Esta falta de cultura jornalística, aliado à falta de rigor profissional, tem sido cada vez mais evidente nos dias que correm. Para além disso, está cada vez mais claro que o conteúdo exclusivo é obra do passado, porque a facilidade com que se fazem noticias através de outras notícias, mesmo sem se confirmar o que se está a noticiar, acabando até por muitas vezes comprometendo o relacionamento com os leitores, é muitíssimo tentador. O que é certo é que a continuarem assim, estão também a formatar uma sociedade e a destruir todo o respeito pela classe jornalística.
Não sejam hipócritas. 95% das músicas que passam nas principais estações de rádio portuguesas são músicas descartáveis e sem sentimento Não basta darem os parabéns a Salvador Sobral, senhores. Promovam a boa música, promovam os novos projectos, e fundamentalmente, a música cantada em português.
Não repitam vezes sem conta as mesmas músicas. Diversifiquem. Tenham brio na divulgação da boa música que se faz em Portugal e em todo o mundo.
Os "bons" resultados da extrema-direita na França dão para tudo. Finos e pesticos para a emigrantada que ainda não percebeu que assim que esses meninos cheguem ao poleiro, eles próprios, emigrantes, vão todos para o caralhinho!
A falta de informação desta gente é gritante, e as baboseiras que lançam cá para fora são absolutamente surreais! Para além do discurso xenófobo, estão completamente a leste do que realmente se passa no continente europeu, assim como no mundo.
Só para esclarecer: isto nada tem a ver com desporto. Isto é selvajaria, vandalismo ou até mesmo, terrorismo, se assim preferirem. Já culparam os presidentes e a comunicação social pelo profundo clima de crispação que se tem vivido, mas e que tal olharmos para isto como um todo, e não nos esquivar-nos da nossa pequena contribuição para este ambiente de agressividade corrosiva? Já passamos há muito das clássicas rivalidades, das bocas e das brincadeiras, que de vez em quando geravam pequenas discussões. As coberturas televisivas em dias de clássico transpiram a tudo menos a clima de paz, com perguntas retóricas e sempre com um pequeno rastilho para os entrevistados darem o "show", com possibilidade de se tornar viral. A falta de respeito para com os jornalistas é também enorme, com vocábulos que envergonham todos os que contribuíram para a liberdade de expressão. E até custa a perceber como é que qualquer profissional se sujeita a este tipo de coberturas, que em nada dignifica a profissão nem tão pouco o desporto. Já chega.
Em Portugal vale tudo para se dar um "Última Hora". Até parece que o jogador do Canelas 2010, foi o primeiro jogador a agredir um árbitro em Portugal. Será esta a profunda decadência da comunicação social? E as prioridades dos portugueses, quais são? Viver num profundo jornal cor-de-rosa disfarçado de azul, onde é constantemente bombardeado com notícias a puxar cliques e discussões primatas?
Tenham calma. Isto também não é o fim do mundo. O Trump ganhou e o Brexit também, e como podem já ter constatado, o mundo ainda não desabou. Para reforçar ainda mais a minha ideia, neste momento, em Portugal, até já temos um aeroporto chamado de Cristiano Ronaldo e tudo! O que quero com isto dizer, é que apesar de ter existido um empate no clássico de ontem, pelo menos não haverá a típica chacota de segunda-feira nas primeiras horas de horário laboral, que mesmo apesar do empate insosso, ganhou o patrão, a família e as amizades que geralmente ficam fragilizadas sempre que existem jogos altamente inflamáveis. Com este resultado até os jornais ficam mais limpos e as redes sociais menos poluídas. Portanto, não fiquem assim tão reprimidos. Guardem essa vontade toda para o fim do campeonato, porque parece que vamos ter espectáculo até ao fim.
E pronto, lá apareceu mais um vídeo de uma adolescente lusa a ser espancada na Internet. E este ainda é fresco, porque passou-se na quarta-feira.
Sinceramente, não entendo que tipo de educação estão os pais a dar, e como é que os professores nas escolas estão a tratar da formação de crianças e de adolescentes, mas tenho cada vez mais nojo desta geração. Temo pela chegada destes indivíduos ao mercado laboral e de quando se tornarem adultos, porque a clara falta de valores morais é notória e gigantesca.
Ora com que então Dia dos Namorados. Cá estamos novamente a festejar o dia do exibicionismo. E o que novidades temos este ano? Nenhuma.
Se por um lado temos o grupo dos encalhados a mandar bocas em todas as redes sociais existentes mas que no fundo invejam e sentem afastados da sociedade, por outro temos o grupo os consumistas e especialistas em exibicionismo, a tentarem a todo o custo extrair o maior número de reacções nas suas publicações. E então, o que deveria ser celebrado nesse dia acontece efectivamente? Talvez, mas fora da Internet. Longe da Internet. Longe das redes sociais e de toda a merda, que consiga destruir a intimidade das pessoas. Isto numa altura em que as pessoas pedem cada vez mais privacidade, mas que a toda a hora, acabam por se contradizer.
Nunca entendi muito bem o festival de exibicionismo que acontece no dia 14 de Fevereiro. Dias antes, as lojas e as ruas ficam completamente apetrechadas de matérias que dão enjoos. É a época ideal para escoar das lojas os objectos pífios que ninguém perfeitamente normal ofereceria num dia normal, mas que no dia 14, Dia dos Namorados, passam a ser altamente sobrevalorizados e agradáveis de oferecer e receber. Mas diga-se de passagem, e sem esmagar mentalmente ninguém: o problema não é o Dia dos Namorados. O problema são as pessoas!
As pessoas tornaram o Dia dos Namorados um dia terrível, sedento de oportunismo, exibicionismo, consumismo e claro, um dia absolutamente normal para quem quer estar afastado do circo popular. E ainda bem que ele existe, e que o foram tornando num verdadeiro festival de vaidade e de ostentação, porque assim sempre dá para distinguir as pessoas fúteis e banais que estão cada vez mais similares.
Desde 2013 que o número de crianças registadas sem nome do pai tem vindo a aumentar. No ano passado, foram qualquer coisa como 837 casos, o que me leva a crer que o hit do grupo "Chave D'Ouro", - Pai da Criança (Quem será), tenha sido um dos grandes impulsionadores para o fenómeno que está a abalar a sociedade portuguesa. Quer dizer, abalar talvez não seja bem o melhor termo, pois este tipo de temáticas é sempre magnífico em momentos de confraternização.
Quem é que nunca teve uma recaída de curiosidade, quando descobriu que a filha de um alto prestigiado da aldeia, foi mãe sem saber quem era o pai? Um clássico!
Os motivos são vários segundo consta, desde mães que decidem não revelar o nome do pai, ou homens que se recusam a assumir a paternidade. Claro que também existem casos em que só se conhece o nome do pai, não é, Cristiano Ronaldo? Pois! Há que dar o exemplo também fora do campo. Afinal de contas, o dinheiro também serve para isto de coisas, e para abafar outras.
Pessoalmente não vejo grandes motivos para dramatizar a situação. O problema não é de agora. Homens irresponsáveis e mulheres oferecidas ou inocentes, sempre existiram. E verdade seja dita, de vez em quando sabe bem fugir da rotina dos temas básicos.